terça-feira, 3 de agosto de 2010

Day 9 — Someone you wish you could meet

Cheguei num dia complicado: o destinatário da carta do dia 09 será o mesmo das cartas dos dias 11 e 15 - sim, eu considero poucas pessoas realmente importantes na minha vida, e se eu gostaria que ela pudesse responder é porque ela faleceu e se é a pessoa de quem eu mais sinto falta é porque obviamente faleceu². Tá, ela poderia ter ido morar num lugar distante, poderíamos ter pedido contato ou qualquer outra coisa, mas infelizmente, Deus tinha outros planos pra ela. E sim, eu já estou em prantos só de lembrar dela.

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Day 9 — Someone you wish you could meet
Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to
Day 15 — The person you miss the most

Oi pessoa que eu mais amei e amo na minha vida inteira. *.*

Infelizmente eu nunca tive a oportunidade de dizer isso olhando nos seus olhos, mas saiba que durante toda a minha vida eu te amei muito, te amei e ainda amo, porque você sempre vai fazer parte de mim de alguma forma.

Deus foi tão bom comigo que colocou você como um anjo da guarda pra proteger minha família antes mesmo que eu nascesse. Nossa história é tão linda que minha mãe soube da sua existência através de jornais encontrados num caminhão durante os dias em que ela dormiu na rua.

Quero agradecer por você sempre ter ajudado a minha família, desde o momento em que você acolheu na sua casa a minha mãe depois da separação dela do meu pai, com a minha irmã ainda bebê nos braços dela.

Também não posso esquecer quando minha mãe teve aqueles problemas de menopausa precoce... ela ficava muito nervosa, me batia muito, e foi você quem cuidou de mim, mesmo nas suas limitações, mesmo com os seus problemas que eram infinitamente maiores que os meus, você me deu carinho, amor, atenção, afeto... você me ajudava nas lições de casa, pedia pra eu sentar ao seu lado na cama pra te contar como foi o meu dia. Sempre me encheu de presente, mesmo minha mãe não gostando. Sempre elogiou meu rendimento escolar, mesmo com minha mãe dizendo que eu não fazia mais do que minha obrigação. Sempre me dizia pra eu nunca desistir de nada, mesmo com a vida te colocando barreiras maiores dia após dia.

Você é meu maior exemplo de caráter, dignidade e perseverança. Você foi como minha segunda mãe em muitos momentos. Você lutou até o fim e o meu maior sonho é ser um terço do que você foi.

Toda vez que eu via seu desespero, sua tristeza por conta da perda gradativa dos meus movimentos, eu ia pro quarto chorar escondida, pra que você não visse. Eu sentia que estava te perdendo um pouquinho de cada vez, e no fundo, mesmo na minha pouca idade, Deus me mostrava que aqueles momentos não deveriam ser vividos com tristeza, que eu deveria ser forte e ficar ao seu lado do mesmo modo como você havia ficado, mesmo sem eu perceber, anos antes.

É muito difícil escrever pra você, muito mesmo. Eu sempre choro porque eu te amo mais que a mim mesma, sinto que perdi um pedaço de mim. Eu vivo quase 8 anos de luto por sua causa, porque Deus quis que meu anjinho partisse pra uma nova missão num plano que não é mais o terreno, é o celestial, porque você é de uma alma tão boa que certamente está do ladinho dele ainda intercedendo por nós e nos guiando nessas estradas tão difíceis da vida. ^^



‘menos de um segundo e eu já perco o ar, quase um minuto e quero te encontrar...

... é um sentimento que preciso controlar porque você se foi, não está aqui’.

Day 6 — A stranger

Você não sabe como é complicado, depois de tantas expectativas, de tantos sonhos, de tantos desejos, de tantas vontades, de tantos planos, traçar essas linhas e chegar à conclusão de que você foi apenas uma verdade inventada, de que a ‘letter to a stranger’ tem destinatário certo: você. E acho que escrever para um estranho conhecido deve ser uma sensação bem pior do que escrever para um estranho qualquer, visto que tudo o que eu senti/sinto por você terá que ser guardado numa gavetinha pequenininha denominada ‘saudade’.

Pensei em escrever pro seu amigo perguntando como você está, mas depois de perceber que simplesmente você não me quer na sua vida eu desisti de manter qualquer tipo de contato. Não sei se você lê isso aqui, eu devo ter sido tão insignificante na sua vida que você nem deve se dar a esse trabalho, então creio que eu posso escrever da forma que eu achar melhor, né?

Também não sei se você me bloqueou permanentemente ou me deletou do msn, mas o fato é que não vou procurar saber. Não vale a pena. Não vou me fazer de forte, porque é recente e eu ainda sofro por sua causa, mas o impacto inicial já passou e creio que daqui há algum tempo tudo o que restou aqui dentro vai passar também, e eu estarei novamente bem como quando nos conhecemos.

Você entrou na minha vida numa tarde ensolarada de ócio sem sequer pedir licença. Nos primeiros instantes eu te achei um tanto quanto arrogante, impressão que foi quebrada praticamente na mesma hora, quando começamos a conversar e eu observei alguns traços parecidos na nossa realidade. Pronto, você havia me conquistado.

Todos os dias conversávamos. Era bom, deixava meu dia mais feliz. Nossas realidades se complementavam, muita coisa era parecida mesmo. Até havia esquecido como te achei metido num primeiro instante.

Durante um certo tempo soubemos de todos os compromissos, rotinas, conquistas um do outro. Você completava meu dia, me fazia feliz mesmo na distância. Sua preocupação, seu desejo de querer me proteger, seu modo de colocar suas idéias, tudo isso me fascinava, me fazia muito bem. E eu sempre tentei, com todo o meu coração, fazer o mesmo bem a você. Cada pequena lembrança sua, cada conversa, cada palavra, significou muito pra mim. De verdade. Tanto que dói fisicamente falar de você.

Talvez daqui há um tempo eu descubra que confundi as coisas, que deixei o sentimento ir mais além do que deveria. E que talvez se eu não tivesse me apaixonado, pudéssemos ser bons amigos naturalmente, como tudo levava a crer que seríamos.

Mas como não foi isso o que ocorreu, estamos aqui hoje, você aí e eu aqui, voltando a ser os dois estranhos que éramos há três ou quatro meses atrás. Se comportando como se nunca sequer tivéssemos nos conhecido, como se não houvesse acontecido nada entre nós... ou talvez até pior do que isso, como se a única coisa que tivesse sobrado fosse mágoa, ressentimento ou simplesmente indiferença e desprezo de ambos os lados.

... é, acontece nas melhores famílias.

Quero finalizar dizendo que, apesar disso tudo, eu te desejo tudo de bom. Quero que Deus continue te iluminando, te dando saúde e paz e permitindo que você concretize todos os seus planos, sonhos e ideais. Acho que sempre vou querer o seu bem, mesmo você, atualmente, sendo um estranho.

Até qualquer dia.

Day 5 — Your dreams

Ultimamente têm sido muito difícil pensar em sonhos. Acho que passei da idade de sonhar, será? /eu e meu complexo de velhice again!

Creio que não. Sonhos pra mim são muito mais que uma questão de idade, e sim de interpretação, porém estou num momento da minha vida em que não me permito mais certas abstrações totalmente fora da minha realidade, como quando eu sonhava em ser escritora de sucesso internacional, cantora famosa ou simplesmente ter grana o suficiente pra viajar o mundo sem se importar com preços. Houve uma época da minha vida em que o que eu mais quis foi dinheiro, muito provavelmente por conta das dificuldades inúmeras pelas quais minha família passou e pela dificuldade de compreender que os valores sociais atuais estão pautados no consumo, no ‘ter’ ao invés de ‘ser’. Hoje eu até quero dinheiro, mas não vou morrer frustrada se não for podre de rica. Quero muito mais [ou muito menos, depende da interpretação] do que alguns zeros a mais na minha conta bancária. Quero pequenas realizações, quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais, quero dias de festa com meus amigos, saídas com minha família, realizar serviços na Igreja...

... parece pouco, mas me completa. E são pequenas coisas como essas que me fazem ter força pra lutar pra que sonhos maiores sejam realizados. Como todo mundo quero um futuro profissional promissor, um bom emprego, uma vida confortável, prosseguimento da minha vida acadêmica... quero muitas coisas que não basta apenas sonhar para conseguir, é necessário esforço e construção de alicerces prévios.

Além disso, mesmo sendo muitas vezes taxada de reacionária, eu também quero mudar o mundo. Sonho sim com uma sociedade mais justa, mais igualitária, onde o pobre não seja iludido com a perspectiva de aumento de poder de compra, de crescimento econômico calcado na ignorância como única alternativa de desenvolvimento do país, de cotas por cotas... quero reforma do ensino básico, quero alternativas de empregos pra todos, quero que o povo brasileiro seja retirado do poço da ignorância conveniente para aqueles que estão no poder.

Quero ainda mais do que isso: quero o fim dessa cultura de massificação, onde tudo é padronizado, onde implicitamente a beleza branquinha padrão do capitalismo é colocada como símbolo de boa índole, de pessoa amada e desejada, enquanto os que fogem deste padrão são pessoas descartáveis.

Estou sendo radical, sim. Mas brevemente, muitas vezes é assim que eu me sinto. Uma pessoa descartável, pela minha pele morena, a minha baixa estatura, o meu excesso de peso e o meu cabelo crespo. O pior é que os índices comprovam isso. É só abrir o Google e verificar que os menores salários e as mais altas taxas de pobreza são das mulheres [santo patriarcalismo ¬¬], sobretudo das negras ou com traços negroides [tipo assim ‘eu’ – meu querido preconceito racial velado]...

... ou seja, não é uma coisa a nível de ‘como a Nina se sente’, é um fenômeno de escala global, que quando é tocado muitas pessoas acham fútil...

... enfim, vamos vivendo sendo preteridas por sermos consideradas ‘feias’.

Eu sonho apenas com o dia em que a beleza padrão não será considerada referencial para contratação, para atração, para vontade de conversar... enfim, que essa merda de estereótipo padrão' não sirva pra nada.


/isso são frutos de um desabafo hiper produtivo que tive durante o ENG :)

PS: apesar dos apesares, eu me acho linda. E phoda-se que a sociedade não acha.

domingo, 1 de agosto de 2010

Day 7 — Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush

Foram três longos anos apaixonada por você. Vivendo, querendo, respirando você. Aliás, criei este blog pra falar de você – e apaguei tudo! E no meio de tantos ex acho você o mais digno de receber essa carta.

Já senti pela sua pessoa sentimentos que variaram do amor incondicional à vontade de matar. Hoje apenas sinto indiferença sentimental, com uma pitada de rancor em virtude das suas amizades recentes, mas não deixo isso me abater. Se você quer se envolver com quem não presta o problema não é meu, só espero que não escolha o meu ombro pra chorar quando quebrar a cara.

Te desejo tudo de melhor do mundo, quero de coração que você fique bem e consiga sucesso e realizações. Apesar de aparentemente você não acreditar, não quero o seu mal.

/mais uma carta curtinha – impessoalidade é uma merda.


Abraço,

Nina.

Day 4 — Your sibling (or closest relative)

Acho que essa é uma das cartas mais difíceis de escrever, por isso mesmo será curtinha.

Temos uma relação bem complicada e totalmente diferente de praticamente todos os laços familiares das pessoas com quem eu convivo: nove anos sem nos ver, você com o segundo marido e sua filhinha que eu ainda não conheço.

É estranho, sinto saudade de coisas que eu nunca vivi contigo, mas sei que você não sente o mesmo. Você é fria, mas eu entendo, afinal não convivemos. Sinto que somos irmãs apenas por circunstâncias biológicas, mas mesmo assim não deixo de te amar demais.

Day 19 — Someone that pesters your mind—good or bad

Nada como retomar a rotina cartística dedicando uma cartinha pra uma pessoa que importuna - e muito - a minha mente [de acordo com a tradução do Google ao inglês que ilustra o título dessa postagem!] - de uma maneira super positiva, aliás das mais positivas possíveis!

Adoro falar o nome dela completo porque acho que soa super forte e sexy, como ela/mas não convém postar aqui!

E isso não é uma mera retribuição ao que ela me escreveu recentemente, até porque já tinha vontade de escrever pra ela faz tempo, apenas estou consumando o ato/e eu adoro atos consumados, uiii!

Ariii!

Amor... não vejo a hora de chegar novembro pra finalmente dormirmos de conchinha, mas espero de coração dar um jeito de te ver antes, porque até que estamos pertinho. Você é tão presente na minha vida, se preocupa tanto comigo, me ouve, tem paciência [ou finge muito bem, mas eu prefiro acreditar na primeira opção], tem um coração enorme e uma vivência extremamente parecida com a minha [incluindo nossas mães surtadas que amamos tanto!] que eu acho uma afronta à minha dignidade o fato de não sermos vizinhas da frente. Aliás meus vizinhos da frente são uns caras esquisitos donos de um estabelecimento comercial que ficam olhando a vida dos outros o dia todo, ôh beleuza! ;)

Voltando à minha musa inspiradora das madrugadas ex-ruiva...

... eu não escrevo tão bem quanto você, mas mesmo assim torço demais pela sua felicidade, pra que você consiga ser uma jornalista super famosa e eu possa te ver na tv daqui há alguns anos e dizer que sou amiga dessa mocinha super sexy que ancora o jornal do horário nobre HUAHAUAHAUHU [tá, acho que você nem quer isso, creio eu que seus sonhos sejam muito maiores do que ser uma marionete da alienação da rede bobo, e desejo que você realize TODOS, e que eu possa ser testemunha disso!]

Eu tenho certeza que você vai passar no vestibular, e eu quero um dia pegar minhas malas e te visitar em qualquer lugar que você for morar, conhecer todos os seus amigos e frequentar várias festinhas universitárias contigo...

... mas enquanto isso não acontece eu fico aqui torcendo pra que tudo possa dar certo na sua vida, super feliz por você ser essa pessoa dedicada aos estudos e objetivos que é, e também pelo seu coraçãozinho estar bem e batendo forte por alguém... é tão bom se apaixonar, né? Mas saiba de uma coisa: se ele não te tratar bem eu vou até essa terra das bolachas aí dar uma tremenda de uma bolachada nele! Você é linda, especial e tem um coração muito bom, portanto merece ser tratada como uma princesa.

Te adoro muitão,

Nina! ;)

Últimas linhas gaúchas!

... finalmente [ou não!] voltei pra casa [vale ressaltar as curtas horas de avião seguida das longas de transporte coletivo que me deixaram estafada e adoentada, e somando com as horas de ônibus rodoviário pra chegar até aqui trataram de ferrar com minha saúde de vez] e, consequentemente, pra minha vida internetística.
E não poderia escolher dia 'melhor' que um sábado à noite pra isso: Ari e Isa offline, Bá que não fala comigo há umas duas semanas... hunf! Saudade de vocês, suas moças atarefadas! :)

O pior [ou melhor!] de tudo é que não sei o que escrever, tamanhas são as novidades. E se postasse tudo o que penso ficaria um post extremamente pessoal, o que não seria muito recomendável.

Bem, vamos resumir:

A semana em Porto Alegre foi... melhor impossível! Sem palavras pra tudo o que aconteceu durante todos esses dias. Saí daquele lugar sem a menor vontade de ir embora, com a vontade de viver naquele alojamento, com aquela rotina, pra sempre [tá, tirando a parte do banho!].

Dá uma olhada no nipe de um das mesas redondas:

_MG_3260EnG por wagnerinno.



Conheci pessoas maravilhosas e que sem dúvidas me acrescentaram muito em termos de conhecimento geográfico e vivências diversificadas, que se completavam em suas diferenças - e finalmente conversei sobre movimentos sociais com pessoas aparentemente não-hipócritas [siiim, apesar de me taxarem de reacionária eu ainda quero mudar o mundo!].

Trabalhar na organização então foi imprescindível pra que eu pudesse aproveitar melhor esse momento: embora muitos criticaram o fato de pessoas de outros Estados [como eu!] integrarem as monitorias eu creio que os principais erros de organização se deveram ao fato de sempre as informações estarem desencontradas, o que comprometeria o andamento do evento da mesma maneira sendo os monitores estudantes da universidade que nos acolheu ou não. Além disso creio que soubemos, na medida do possível, acolher a enorme demanda de inscritos [em torno de 6 mil! Gente pra caramba!]. Em suma deixo meus parabéns aos idealizadores e organizadores do evento, embora eu espere que nenhum deles leia este blog.

Também gostaria de falar sobre como o povo gaúcho é educado: exemplos de gentileza, paciência e boa vontade com os turistas. Maravilhosamente explicativos ao dar informações e prestativos ao extremo: ao ir embora com 20 Kg de bagagem sempre houve um ser atencioso que me ajudou com a mala entrando/saindo do ônibus e do trem, sem eu nem ao menos pedir, coisa que no meu interior de melldells creio que eu raramente encontre.

Um último parágrafo importante quero dedicar àqueles que eu mais gostei de conhecer durante o evento: os mineiros [e os pseudo mineiros também, ou seja, paulistas e cariocas que moram/moraram/tem ligação em Minas!]. Que povo carinhoso e receptivo é esse, uai! Pensem numa pessoa que dormiu com o pessoal de Alfenas, depois com uma turma de Uberaba, e se divertiu horrores na balada com uma galera super atenciosa de Juíz de Fora e BH! Praticamente desbravei as Minas Gerais! Esses momentos mineirísticos eu creio que guardarei pra sempre, ou pelo menos até o próximo encontro [Alfenas em Outubro, oi?!], que eu espero que se repitam todos! *.*

Por enquanto eu acho que é isso - e siiiim, vou retomar com as cartas! /estou super atrasada!